Da beleza ao pó, do pó à beleza.

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Tá tudo muito bem, tá tudo muito lindo…tá passando o tempo e eu vou entendendo aquele ditado que diz que “a beleza está nos olhos de quem vê”. Que a Colombia é encantadora acho que ninguém mais duvida. Se você ainda  nao está certo disso, favor ler os posts anteriores ;-). Mas a beleza nao chega ao nossos olhos por acaso.

Quando eu comecei a escrever esse blog eu tinha dois propósitos específicos, compartilhar com meus amigos que ficaram no Brasil um pouco das coisas que eu encontrasse no caminho durante meu intercâmbio aqui na Colômbia e tentar de alguma forma desconstruir alguns esteriótipos, os meus principalmente, sobre esse país que em geral a gente só conhece pelos noticiários de TV, quase sempre restritos a um par de informacoes sobre guerrillha, tráfico de drogas e política. Acredito que cumpri(venho cumprindo) com meus objetivos, pelos comentários que recebo, pela cara de surpresa das pessoas quando vêem minhas fotos aqui ou admiram os lugares que visito, quando percebem que a Colômbia é bela e cheia de riquezas naturais e culturais tanto quanto o Brasil, entre outras situacoes de bons deslumbres.

Assim como o Rio nao é só favela, a Colombia NAO é só as FARC

Nao acredito em belezas espontâneas ou imaculadas, soam falsas e pré-fabricadas e eu cheguei em Cartagena ansiosa pra ver o outro lado da propaganda. E vi os dois, de uma vez só. O primeiro encantamento foi com as Murallas que cercam a cidade histórica(Centro), linda, extensa, iluminada, contruída há muitos anos pelos espanhóis na tentativa de proteger a cidade dos ataques dos piratas(parece coisa de filme né), aí na mesma noite fui pra uma festa num outro bairro, que eu nunca descobri onde era, mas eu lembro que era longe, bem longe(ou talvez fosse só minha desorientacao inicial de gringa). E lá eu vi que fora da parte turística nem tudo sao flores…

Cartagena para mim é uma grande nuvem de poeira e cores, com uma parte intocada pelo tempo, chamada Centro Histórico, fora é tudo muito caótico. O trânsito desordenado, as obras inacabadas, lixo, vendedores ambulantes por todas as partes, gente falando alto, gritando pelo seu lugar ao sol e uma desigualdade social super acentuada.

Obras, caos e muita poeira

Ambulantes e o mercadao que tem de tudo…Um Beco da Poeira ou a 25 de Marco, versao latina.

Engarrafamento em Cartagena. Muita buzina nessa hora, mas MUITA!

De um lado muito luxo, apartamentos à beira-mar, casaroes coloniais com decoracoes luxuosas e fachadas imponetes, do outro casas amontoadas, simples, de arquitetura padronizada…isso também é Colômbia, contrastes. Aqui nesse aspecto nao é muito diferente do Brasil, porém a precariedade dos bairros mais pobres de Cartagena é mais acentuada do que o que estou acostumada a ver em Fortaleza. Em minha cidade reclamamos que nao há espaco para a prática de esportes, lazer, convívio social etc. especialmente nos bairros mais pobres, o que é uma verdade. Mas eles existem, nao como queremos, nem cuidados como deveriam ser, mas existem.  Aqui, nos bairros pobres simplesmente NAO TEM. Pracas para criancas brincarem sao geralmente um espaco so com areia, os projetos sociais que existem alcancam uma parcela muito pequena comparada à demanda da populacao..demanda de tudo, saneamento, educacao, atividades culturais, saúde. Se você nao vive nos bairros nobres da cidade, provavelmente vai ter muito mais dificuldade pra encontrar esses servicos.

Por outro lado em Cartagena eu me sinto segura como nunca me senti em minha cidade natal. Isso nao quer dizer que nao haja assaltos ou que aqui ninguém mata ninguém. Gente é bicho danado e quando se cria com outro monte de gente sempre dá confusao…Inclusive uma das trainees que trabalha comigo foi assaltada, mas apesar de tudo a sensacao de seguranca aqui é muito maior. Eu vejo policiais sempre nas ruas, nas esquinas, fazendo rondas, pedindo documentos. E isso nao é só a noite nao, de dia também. Ao contrário da minha cidade no Brasil, onde qualquer lugar é perigoso, aqui isso em geral se resume aos bairros mais afastados, mais pobres também. Em Fortaleza a coisa mais comum é você sair de manha pra trabalhar e enquanto espera seu ônibus ouvir uma história de fulano que foi assaltado na esquina que fica logo ali, ou beltrano que conhece alguém que assaltaram semana passada. Aqui eu volto do trabalho todos os dias depois das 20h, andando. Eu caminho pelo centro da cidade à meia-noite sem medo, eu nao olho pra trás a cada minuto porque acho que qualquer transeunte é um assaltante em potencial. Eu realmente me sinto livre para ir e vir. Claro que a gente tem que ter cuidado, como dizem por aqui “no dar papayas!” , que é como um “nao dar mole!”, mas essa liberdade de viver com muros baixos é privilégio de poucos. Vou sentir falta quando voltar pro Brasil.

Polícia Nacional em Cartagena

Mas como diz meu amigo Alexandre Grecco sempre que comeco com minhas comparacoes, “Cidades Lili, no fim sao todas iguais”. E sao, tem uma coisa linda aqui, outra feia ali, é super desenvolvida em algo, falta desenvolver em outra. Nao acredito em cidades perfeitas, ainda que em países desenvolvidos. Como seres humanos inconformados que somos, estaremos inconformados com algo, se tá bom pode ficar melhor, se tá ruim tem que melhorar, se tá sujo tem que limpar, se tá limpo tem que conservar e por aí vai. Eu to fazendo meu intercâmbio num país lindo, cheio de coisas a melhorar, como no meu também, cheio de cidades cobertas pelo pó da corrupcao, da violência, da pobreza, mas também emolduradas pela beleza de um povo que tem orgulho do país em que vive, um nacionalismo bonito de ver, que nao foi construído pelo imposicao ditadora de alguma militância, mas simplesmente porque o colombiano enxerga a beleza que constrasta positivamente em seu país.

Nós no Caribe – parte II E “La Brisa Loca” que vem lá

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Depois de nos despedirmos de Aracataca pegamos um ônibus rumo a Santa Marta, o que também significava que estávamos finalmente rumo ao CARIBE!!

Santa Marta é uma cidade pequena com jeito de gente grande, por assim dizer. O centro da cidade, a parte comercial, me pareceu mais organizado que em Cartagena, a cidade também é mais limpa e o mar…ahhh o mar. Caribe te diz alguma coisa? Sabe quelas fotos que a gente vê no Google images? Ou aquelas de catálogo de agência de turismo?  Mas Santa Marta foi só uma breve introduçao da beleza que estava por vir…

Chegamos lá e da rodoviária fomos direto para o hostal. Primeiro susto positivo: TÁXI BARATO! Isso é meio que uma redundância aqui na Colômbia, mas como eu vivo na cidade mais cara desse país, toda economia é bem vinda. R$4,50 da rodoviária pro nosso destino, que nao era muito perto, foi suuuuper barato e ainda rachamos a corrida, ou seja, quase de graça. Só pra fazer um comparativo, em Cartagena pela mesma quantidade de tempo que fiquei no táxi, eu pagaria uns 10, oo, principalmente porque saindo de rodoviárias e aeroportos todos os táxis sao mais caros. E aí, uns quinze minutos depois chegamos no BRISA LOCA

Um hostal que te da uma cerveja de boas vindas e que coloca uma trilha sonora com música do seu país enquanto você faz o check-in, só pode ser um bom lugar pra ficar. E cada passo a mais lá dentro a gente tinha mais certeza disso:

A cama te chama de lindo =P

A Lorraine(de branco), recepcionista que fez a gente querer morar no Brisa Loca de tao legal que foi com a gente…Muito gente fina!

E turistamos rapidinho em Santa Marta assim:

A noite saímos pra bisbilhotar a cidade, tirar fotos de turista, comer e voltamos cedo porque no dia seguinte a ideia era ir muito cedo ao próximo destino da viagem. Quase todos foram dormir, menos o Vini que explorou um pouco mais o ambiente e as cervejas do lugar e eu que tava empolgada demais pra simplesmente ir dormir. Sabe aquela sensaçao de querer viver “tudo ao mesmo tempo, agora e já”? Eu tava assim nessa viagem, nao queria perder nada…Assim que subi pro bar para ver se o Vini tava ok, comprei uma cerveja, sentei por ali e fiquei de espectadora. É bom se dar ao luxo de nao fazer parte, só por uns instantes, de observar…Até que um “hola” quebrou meu universo paralelo..hehe e puxou conversa, era o Luciano, ou Lucho como apelidam em espanhol, um argentino que também tava de passagem e sem sono, ainda que fosse voltar pro seu país na manha seguinte. E nessas triviliades das apresentacoes, a conversa fluiu, da Colombia à arquitetura, de cinema à reggaeton, da vida o universo e tudo mais e o que ia ser só uma noite de sono, se transformou em uma noite de boas conversas, com uma pessoa que parecia estar na mesma vibe que eu, de viver cada instante daquele experiência, que no caso dele já tava acabando. Às 4h da manha o sono me venceu e me despedi do Lucho, naquela certeza do “até outro dia em um país qualquer” e apesar dos contatos de internet devidamente trocados a melhor parte daaquela amizade instantânea vai ficar nas horas daquela noite de conversa.

Companheiro de “charlas” na madrugada de Santa Marta – hermano Lucho =)

Mas o dia amanheceu e a ideia de ir pro Tayrona cedo foi substituída pela praia e mais um city tour diurno, que EU troquei tudo por mais horas de sono, porque praia nao ia faltar e nao sou do tipo de pessoa que se arrepende de dormir(nunca!). Almoçamos e depois de umas comprinhas partimos em direçao ao Tayrona, um dos maiores e mais importantes parques naturais da Colômbia. Lá voce pode acampar, ficar em umas cabaninhas que parecem ocas indígenas, mas com estrutura de um chalé ou levar sua redinha também, tem lugar pra armar. O parque fica a 34km de Santa Marta ou uns 40min de carro(taxi, pau-de-arara, topic apertada e tudo com motor que servir pra transportar gente). sai uns 1o reais por pessoa mais ou menos. AGORA VAMOS AO ALINHAMENTO DE EXPECTATIVAS E ALGUMAS DICAS!!

1) Entrar no meio dos matos nao é de graça: Para entrar no parque você paga e se você nao for estudante, você paga CARO! Por isso traga sua carteirinha de estudante para pagar a bagatela de R$7,00 (aproximadamente) ou pague R$35! Nao é estudante? Ta chocado com a diferença? Você vai esquecer tudo isso quando chegar lá e ver o que eu vi…garanto!! Seja 7 ou 35, vai valer muiiito a pena!

2) Entrar no meio dos mato é entrar ANDANDO: E quando eu digo andando, eu quero dizer pelo menos umas 1h30min ou 2h de caminhada, depende do lugar onde você decidir ficar. A opcao mais confortável é alugar um jumentinho pra carregar vc e suas coisas, mas você vai pagar uns 20 reais a mais por isso. Se você conhece os limites do seu corpo e prefere o investimento a ter que chegar botando os bofes pra fora, vai com tudo, mas se você é jovem,  atlético, curte uma trilha, curte o contato intenso com a natureza, vai curtir a caminhada…Agora se você é só uma sedentária metida a aventureira que nem eu, vamos conversar no próximo ponto de alinhamento.

3) CHEGUE CEDO NO PARQUE e leve só o estritamente necessário: Lembre que sua caminhada será de até 2h e nao tem baquinho no meio do caminho, nem lojinha pra comprar aquela Coca gelada. Entao vá cedo, de preferência pela manha, quando o sol nao tá querendo te cozinhar na floresta e quando você pode enxergar o que há a sua frente. Nós fomos num feriado, o parque tava cheio e até pagar, decidir onde íamos ficar e entrar, ficou tarde e caminhamos no meio do parque no fim da tarde e entramos pela noite caminhando, com uma só lanterna, com malas pesadas e, como todo castigo pra quem nao chega cedo é pouco, pegamos o caminho errado, o caminho dos jumentos!!! Ou seja, com mais obstáculos que o caminho dos pedestres, com muito cocô de jumento, muitas paradas no meio do caminho pros jumentos passarem e muito mais tempo de caminhada. Resumindo: CHEGUE CEDO, leve pouca bagagem e pegue o caminho certo! 😉

4) Prepare-se para o desconforto do PARAÍSO: O Tayrona para mim foi a materializaçao daquele trecho(ou o contexto) bíblico que diz que pra chegar no paraíso a gente tem que ir pelo caminho mais difícil, mais estreito, com mais sofrimento e tal. Chegamos lá acabados, cansados, sujos, descabelados. Acampamos(mas eu adoro acampar!), compartilhamos banheiros com mais de 100 pessoas, meu cabelo ficou duro feito pau, tomamos banho de cuia quando a água do chuveiro acabou, fizemos nossa comida sem a praticidade do fogao a gás ou microondas(e viva as latinhas de atum!), embora lá tenha um restaurante se você nao quiser se preocupar com isso. Mas o Tayrona, a natureza, tem o poder de cegar você pra tudo isso, ou melhor, de fazer você realmente ver. Ver de onde vem a beleza, de onde vem o silêncio, a limpeza, a riqueza, as cores. Foi só ver o PARAÍSO que a gente ficou dormente pra todo o resto, ficou em segundo plano.

E nem de longe as fotos conseguem traduzir o que os meus olhos viram ali…mas vale o aperitivo, porque o Caribe, sua brisa louca e sua beleza entorpecente  merecem o parar do tempo para apreciaçao.

“O mar se ABRIL e o povo passou” – Nós no Caribe (parte I)

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E na virada de um mês para o outro cabem histórias para uma série de TV, um filme de aventura ou uma peça de stand-up comedy …E lá vou eu resumir(ou nao) pra vocês.

Abril começou com um plano: Viajar! E se era pra pegar gosto pela estrada o plano tinha que ser ousado e foi. Eu e um grupo de mais 6 brasileiros reunidos, uns pela amizade antiga, outros pelos laços do intercâmbio ou pela colaboraçao do destino em juntar 5 nordestinos e a Débora, conterrânea de Leandro e Leonardo, numa viagem de cinco dias rumo ao Caribe. Pois bem…eis o plano

O plano

Assim que depois de umas horas de viagem da galera que vinha do sul do país, todos nos encontramos em Cartagena. Esse encontro merece um breve comentário. Eu só conhecia mesmo desse grupo o Filipe Teixeira, meu amigo dos tempos em que a vida universitária era massa, que se aventurou nesse negócio de Colombia junto comigo e desde sempre, apesar de estar em cidades diferentes, combinamos um reencontro por aqui. E foi massa reencontrar um amigo aqui, que me conhece dessas maneiras que os amigos conhecem, que nao precisa dizer muita coisa, que tá vivendo a mesma experiência que eu, mas de uma forma muito diferente, em uma cidade diferente, fazendo laços com pessoas diferentes e de repente a gente pôde juntar esses mundos aqui em Cartagena, rever um ao outro, falar português sem precisar explicar as piadas…ou melhor, completando as piadas um do outro. Como diria o Vini Lucena, um personagem lindo de Recife que veio do mundo do Filipe pro meu mundo: “Foi massa, foi lindo, foi TUDO” =))

 

Aí a gente passeou, fizemos as malas e fomos para o primeiro destino: ARACATACA! (Hein?!?!) A cidade natal do escritor Gabriel Garcia Marquez,ganhador do Prêmio Nobel de Literatura,  autor do livro Cem Anos de Solidao, Memórias de Minhas Putas Tristes, entre outros mundialmente conhecidos. Daí como no grupo tinha pelo menos três estudantes de Letras, amantes e curiosos  de literatura, colocamos Aracataca no roteiro e fomos pra lá com baixas expectativas, já que tudo que a gente sabia é que tinha uma casa museu em homenagem ao escritor.

Chegamos na rodoviária de Cartagena, compramos as passagens e enquanto esperávamos o ônibus, nossa trilha sonora foi essa:

Essa música brega e sertaneja é a cara dos fins de festas com meus amigos da AIESEC Fortaleza e tocou na despedida do Filipe também num barzinho qualquer de Fortaleza. Coincidência ou nao da gente ouvir ela aqui na Colombia, juntos, na partida da viagem que duraria quase uma semana…Nao sei, mas que foi um bom sinal, ah foi =D

Pouco tempo depois chegou o ônibus e tudo que a gente queria era o ar condicionado dele, ja que estávamos todos derretendo no calor de Cartagena. Aí o nosso desejo se realizou assim, um ar condicionado quase no zero e um onibus colorido, com um filme de comédia no estilo Chaves em Acapulco. hahaha…”Tá massa, tá lindo, tá TUDO!” E nesse espírito seguimos até Aracataca, jogando UNO enquanto a estrada se enchia de engarrafamentos =)

Onibus intermunicipal

Muitas partidas de UNO e pacotes de OREO depois chegamos em Aracataca, quase 3h depois do previsto, gracas ao congestionamento enorme na estrada por conta da Semana Santa. Descemos na estrada e pegamos um transporte público até a parte urbana. Aí pra você que imaginou a gente num ponto de ônibus, esperando aquele ônibus grande, com cobrador, motorista, catraca e tal, eu lhes mostro o nosso transporte…

 

 

hehehe…Pela minha cara na foto vocês podem ver como eu tava achando ruim, reclamando de tudo, falando mal da Colômbia e coisas do tipo né. =P. “Tá na chuva? Role na lama meu fêlho!”. As pessoas que estavam comigo estavam no mesmo espírito, saímos de nossas casas pra conhecer a Colômbia e nao importa se ela é moderna, rica, pobre, desenvolvida, rural, com 10 milhoes de pessoas ou com 5 mil, a gente só precisava chegar, experimentar, nos permitir ter e fazer histórias pra contar.

Aracataca é um povoado ou pueblo como eles chamam aqui, com cerca 23 mil habitantes, talvez o bairro da sua cidade tenha mais gente que ela. Cidade tranquila, quente, costeña, gente sentada na calçada no fim da tarde, lojas que fecham cedo(22 nao tem mais um canto aberto pra tomar uma cerveja, um refrigente, comprar um pao…nada)motos e bicicletas por toda parte, tranporte público a 700 pesos(algo como R$ 0.70 centavos no Brasil) e um povo tao acolhedor, tao orgulhoso de sua terra que a gentileza constrange qualquer soberba que chegue por alí.

Ficamos hospedados no Hostel Gypsy Residence, o único na cidade, simples como tudo ali, mas igualmente acolhedor gracas a hospitalidade de Tim Buendia, “neerlandês de macondo”, como se descreve ele próprio, que ali passou de visita e nunca mais deixou a cidade que guarda as memórias do Gabo. O Hostel respira Gabriel Garcia Marquez, em cada cantinho se vê um livro, uma fotografia, uma pintura, um recorte de jornal, tudo faz mençao ao autor e sua cidade natal e o Tim tá sempre disposto a te contar alguma história, te indicar onde ir ou ir com você se necessário. Aí descansamos, jogamos UNO de novo e contamos e rimos mil vezes a piada do Cabaré da Leila, do humorista Espanta, até chegar o dia seguinte. Hostel mais que recomendado, mas nao busque por conforto, lembre-se de buscar antes de tudo experiências.

Com Tim Buendia na saída do albergue Gypsy Residence

No dia seguinte seguimos para a Casa Museo de Gabriel Garcia Marquez(nao consigo dizer ou escrever so o primeiro nome ou só um sobrenome, só é ele se disser o nome todo..hehehe) e mais uma vez deu aquela sensacao de estar no lugar certo e com as pessoas certas. Foi lindo!

Da esquerda pra direita:Eu, Egon(de Salvador), Dilne(Fortaleza), Filipe e a DebRa =P

Almoçamos na casa da mae de um colombiano que vive no mesmo apartamento que eu em Cartagena. Ele sabendo que eu ia com meus amigos à cidade, ligou pra ela avisa e ela por sua vez, como boa colombiana e ainda mais de Aracataca(cataca), mesmo sem nunca ter nos visto, nos convidou a almoçar em sua casa. Delícia de comida costeña e de conversa de gente que se alegra simplesmente por que você tá lá, ainda que só de passagem.

Depois do museu já estávamos com a sensaçao de “ok missao cumprida em Aracataca”, mas menino é osso né! E mesmo com o calor escaldante, saímos “desbravando a cidade” =P. Fomos no cemitério, vimos o pintor do Macondo e o trem(sim, o trem é atraçao turística). Encontramos aí uma biblioteca municipal, entramos “só pra ver” e um funcionário que estava por alí foi logo se chegando, explicando as fotos das paredes, abrindo portas, contando as histórias de Aracataca, mandando entrar, trazendo coisas, mostrando coisas e uma vez  mais me encantando. Lembrei do Brasil, das repartiçoes públicas  e de como geralmente somos tratados aí. Dos funcionários que nem lembram mais porque estao ali, de outros que ganham tanto que se acham no direito de nao fazer tudo que lhe compete o cargo e olhei aquele senhor, ali de Aracataca, na sua rotina de limpar, organizar, catalogar livros, papéis, história de uma cidade que a maioria nunca ouviu falar, nos recebendo pra mostrar com todo orgulho o que é que a Colômbia tem. Fiquei feliz de estar ali e saber que a viagem estava só começando.

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Quando chegam as sextas-feiras

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Depois de uma semana de trabalho tudo que qualquer trabalhador anseia é a linda Sexta-feira, elegantemente acompanhada dos queridos Sábado e Domingo. Na Colombia nao é diferente. Acordamos na segunda planejando a sexta(olha que lindo, já me incluo com os colombianos…hahaha) e quando o fim de semana você precisa saber o que fazer e COMO fazer. Permitam-me explicar…

Cartagena é uma cidade turística, a mais turística do país em termos de volume de pessoas chegando e saindo da cidade, seguida por Bogotá, logo sempre há o que fazer. Se voce é desses sortudos que sai cedo do trabalho ou está pela cidade aproveitando a vida boa que Deus lhe deu, nao pode deixar de apreciar o por-do-sol das Murallas, de frente para o mar. É lindo, romântico, inspirador.

Daí voce pode seguir pra tomar una Club Colombia bem gelada na Plaza de La Trinidad, apreciar o ritmo de quem vive ali, de quem ta só de passagem, sentar no banco da praça e começar uma conversa despretensiosa, sentar numa rodinha de violao, comer um perro caliente ou uma arepa de queso, escutando um vallenato ou um reggaeton diretamente do carrinho e som, iluminado e colorido, claro, que está sempre ali para  garantir a trilha sonora da noite num dos bairros mais boemios da cidade, o Getsemani.

Nao tao longe dali e com um pouco mais de charme ou glamour está a Plaza San Diego no Centro histório, onde há muitos restaurantes, pessoas vendendo artesanato e toda beleza do centro histórico de Cartagena. É um lugar muito agradável, onde se reúnem amigos, turistas, vendedores, músicas, artistas de rua e onde se pode ter a diversao que o seu bolso e o seu pique permitir.

Mas se voce quer mesmo é esquecer o stress da semana e chutar o pau da barraca no fim de semana, vamos conversar um pouco… 😉 Nesses quase três meses que estou em Cartagena, tenho procurado conhecer a cidade e suas opcoes de lazer, mas nao apenas os lugares recomendados para turistas, desses que voce entra e tá cheio de gringo dancando desengoncado(notem que eu nao me considero gringas =P…hahaha), mas tenho procurado pelos lugares onde os cartageneiros vao, as boates de playboy, as festas undergrounds, o lugar pra levar o(a) namorado(a), o parquinho pra levar o sobrinho, a vida real. Tenho encontrado, mas por hora fiquemos com as baladas noturnas de modo geral.

A primeira festa que eu fui aqui foi numa boate chamada Mister Babilla, que é a mais antiga e mais famosa aqui da cidade. Mas nao é a única, tem barzinho com música ao vivo, o Hard Rock Café, que tem karaokê às quintas :-D,nos albergues(hostels) também sempre rola festinhas e muitas sao abertas ao público e ao redor deles há sempre algum outro barzinho com música também. A balada mais cara que já fui aqui custava como R$15,oo a entrada. Aí tem de tudo, gringo dançando desengonçado, colombiando mostrando o swing que o latino tem e brasileira que nem eu aprendendo umas coisinhas sobre baladas na Colômbia…

Coisinha número #1: Boate colombiana nao é sinal de “tuntz-tuntz”

Esqueça os dedinhos para cima, mover a cabeça para um lado e para o outro sentindo a vibe da batida da música eletrônica, Você está na Colombia meu fêlho! =P Boate colombiana toca: REGGAETON, salsa, champeta e vallenato! Quase que nessa ordem e aí só pra agradar geral, toca uma musiquinha ou outra em inglês…só pra dizer. Eu recomendo ver esses vídeos, só pra alinhar as expectativas do que se pode ouvir numa boate colombiana..hehe

Reggaeton song

Vallenato

Reggaeton e vallenatos, respectivamente =). No começo é extranho, mas GARANTO que nao dá pra ficar parado…pelo menos se você gosta de balançar o esqueleto, assim como eu =))

Coisinha número #2: Pegacao? Com discriçao!

Aqui é um país bem mais machista que o Brasil, especialmente na costa colombiana, logo certos comportamentos em público sao mal vistos, como por exemplo “ficar com alguém” em baladas.  Eles sao mais discretos em relaçao a isso,a gente até vê,  mas é meio escondidinho sabe. Se você já viu alguém dançando reggaeton você vai ler isso e vai pensar “Como assim?? Pode sair um filho dali!!” ..hehe.. Mas na real é assim, a galera dança juntinho, rebola até o chao, acaba a música e vai cada um pro seu canto ou espera a próxima música =P. Mas a pegaçao messssmo, em geral, é na base da discriçao. Só pra vocês terem ideia, no Brasil é comum você tá andando numa boate, passar um doidinho qualquer e já chegar tentendo te beijar(no nosso caso meninas), aqui NAO TEM isso!

Coisinha número #3: Eles dançam moooooiiiiiito!!

Até agora nao conheci nenhum colombiano(a) que tenha me dito que nao sabia ou nao gostava de dançar. Todo mundo dança e bem e muito..hehe. E eu que tenho uma coceirinha boa nos pés, adoooro =))

Eu nao to de férias na Colombia

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Passaram-se dois meses.  Passaram as primeiras impressoes. Passou a primeira gripe, a primeira cólica, a primeira febre longe de casa. Passou a primeira e a segunda e a terceira crise de saudade, dessas que a gente se tranca no banheiro, chora sozinha, lava o rosto e volta falando outra língua, como se a vida fosse leve. Passou o medo de falar estranho, de nao entender e nao ser entendida, comunicacao e adaptacao andam juntas. Passou  o carnaval…diferente, colorido, cheio de ritmos novos, que quase chegavam nos que eu conheco, mas só quase =). Passou o primeiro aperto e o primeiro desaperto, depois do primeiro salário(é bom!). Passaram noites loucas, com gente legal e as embriedades e os dias seguintes sem computador e internet. Passaram também os primeiros encantos, a vida agora parece mais real por aqui.

Para começar e para que fique claro eu nao estou de férias na Colombia. Nas primeiras semana a gente até pensa que está, tudo novo, cidade nova, novos costumes, novos horarios e uma ausencia de rotina que faz a gente pensar que tudo que se precisa fazer è acordar no dia seguinte e conhecer um lugar novo. Maaas… eu nao vim para cá (só) para fazer turismo. Vim ser professora, assim como sou no Brasil, só que num paìs diferente, cultura diferente ecom uma lìngua que eu nao domino. Ah e vim ensinar ingles, só pra dar mais emoçao =)

Mas na verdade, aqui eu me sinto assim, ó..hehehe =P

Eu trabalho num curso chamado Centro Colombo Americano, que é uma franquia de ensino de ingles super antiga e reconhecida aqui na Colombia e tambèm em outros países da América Latina.  Quase todo o quadro de professores é composto por native speakers , alguns colombianos e “le me” =D a ùnica e primeira brasileira ensinando ingles aqui <o/. Sou embaxatriz, gente!! hehe…Isso é legal e uma coisa que levo meio a sério aqui. Eu acredito que ensinar, seja là o que for, traz em si o dever de construir valores e desconstruir esteriótipos e nós brasileiros somos muito, eu digo MUUIITO esteriotipados. As perguntas que eu mais escuto aqui depois de dizer que sou do Brasil sao: “Voce sabe sambar?”, seguidas por “Samba pra gente? e  “Voce mora no Rio?”. No começo é legal, voce vira meio que uma atraçao (vez ou outra sou parada nos corredores por desconhecidos perguntando se eu sou a teacher from Brazil…kkkk), os colombianos realmente adoram o Brasil, querem aprender portugues,  mas depois de um tempo è meio frustante constatar quao limitada é a visao que os extrangeiros tem do nosso país. Entao eu meio que adotei essa causa e sempre que falo do Brasil, seja para os meus colegas de trabalho, seja para meus alunos, procuro falar das coisas que nao estao nos folders de agencias de turismo, reforço que  nem todo mundo samba e que o carnaval no Brasil vai muito além do Rio, entre outras coisas. E cada vez que digo uma coisa e eles fazem aquela cara de “Caraaamba, é mesmo??”, sinto aquela sensaçao de missao cumprida.

Como estrageiros em geral veem os brasileiros

Como estrageiros em geral veem os brasileiros

Algumas coisas que a gente tenta explicar

Falando em alunos, uma rápida constatacao: Eles nao sao iguais em todo lugar. Aqui de alguma forma, por mais que eles também tenham seus momentos de preguica, sao muito mais dedicados e respeitosos em sala de aula. Isso pode ser uma constatacao simplista e generalizada, mas esses dois meses aqui em Cartagena foram de longe os meus meses mais produtivos como professora.

A organizacao do curso de idiomas aqui também é diferente do Brasil. Enquanto no Brasil voce passa um semestre com o mesmo professor, tendo 1h e meia de aulas duas vezes por semana ou 3h uma vez por semana, aqui eles tem aulas todos os dias, uma ou duas horas diárias de ingles. O curso é dividido em níveis de 1 a  16(cursos de 2h), cada um com duracao de 1 mes, assim que em pouco mais de 1 ano voce conclui o curso. Aí voce me pergunta “Conclui falando inglês?” e eu te respondo que “Em geral sim e melhor que alunos que passam 3 ou 4 anos em um curso de idiomas.” O que acontece é que o curso se torna muito mais dinâmico e quando o aluno comeca a cansar…puf, acaba e comeca outro, na semana seguinte, com outro professor e com conteúdos que vao se complementando. Os que se dedicam um mínimo que for, terminam um curso de um mes e 3 unidades sabendo usar bem vocabulário e gramática. Como professora é muito mais fácil e produtivo também, planejar e dar um curso de 3 unidades apenas por mes, bem como acompanhar melhor o desempenho dos meus alunos.

No mais, continuo sendo uma pequena “atracao” pros meus alunos, a “teacher de Brasil”…hehe e continuo aprendendo muito de espanhol com eles, já que tenho turmas de iniciantes também e tenho que usar o espanhol de vez em quando. Nada como a necessidade…=P. Meus horários de trabalho mudam todo mes, o que me faz ter que exercitar minha capacidade de adaptacao SEMPRE. Na verdade é um saco, porque quando a gente tá se acostumando, Puff…nova rotina. E também nao dá pra fazer um curso regular ou algo assim, já que nao se tem uma estabilidade de horarios. No fim do dia estou cansada, de pensar em ingles, em espanhol e  em portugues,  mas também estou feliz porque nao tem um só dia que eu nao aprenda uma coisa nova, seja uma palavra em espanhol, seja uma maneira de ensinar ingles a eles com coisas do cotidiano deles, que agora também fazem parte do meu.

Agora que voces já sabem que eu nao to de férias, aguardem o post sobre quando chega a sexta-feira…=)

La India Catalina

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Estou sem computador e por isso o acesso a internet tem sido restrito, assim tenho um desafio, tentar descrever a intensidade dessas primeiras semanas na Colombia e acreditem, Cartagena é uma cidade que merece que descriçoes. Entao vamos à primeira tentativa.

Eu nao sou o tipo de pessoa com alta quilometragem ou milhas percorridas pelo mundo. Ja fiz viagens a algumas cidades do Brasil, alguns carnavais loucos e divertidos com primos e amigos, um inverno no Rio Grande do Sul com amigos que fiz pela internet(crianças nao façam isso em casa!) e foi massa, mas nada, NADA se compara a intensidade desses dias em Cartagena.

Claro que isso tem tudo a ver com o fato de ser minha primeira viagem para alem das fronteiras brazucas, mas viajar a um paìs para morar e nao(apenas) para fazer turismo faz tudo parecer mais sensìvel a observacao, pelo menos aos meus olhos. Nessa primeira semana eu fui expectadora, me permiti assistir a cidade e tentar saber por onde começo, onde eu entro.

Assim que cheguei aqui tudo parecia normal, atè eu sair do aeroporto. Fazia calor como em Fortaleza, os taxistas do aeroporto cobravam mais caro como em Fortaleza e o idiomas(ainda) nao gerava problemas de comunicaçao. Ate que voce entra no taxi, o motorista liga na radio que toca uma musica parecida com vandeirao gaucho mas aqui as pessoas chamam de vallenato(http://www.youtube.com/watch?v=5Pr-GYBWOlQ) e todos gostam. Depois voce descobre que aparentemente nao ha limite de velocidade e o uso da sinaleira è opcional quando se tem uma boa buzina. Essa por sinal pode ser qualquer uma, desde um som de “fiu-fiu” atè aquelas de caminhao, o importante e ser bem alto.

Falando em taxi, eles estao por todas as partes, todos amarelinhos, alguns super velhos, outros mais novos , quase todos da Renault ou Hyundai  e com preços super camaradas, o preço minimo de uma corrida custa 6 mil pesos, que da em torno de uns 5.50 em reais e se voce morar muito, muito longe vai pagar uns 14 mil pesos. E claro, sempre rola aquela negociaçaozinha basica, porque aqui eles nao usam taximetro. E se nao for suficientemente barato pra voce, ainda existem os mototaxis(surgiram na Colombia, por sinal) e as bicitaxis…isso mesmo.

taxis - eles estao por todo lugar

Bicitaxi

O transito em geral eh bem louco, poucos carros particulares, muitos taxis, algumas motos e muitas, muiiiitas busetas. OK, deixa eu explicar. Aqui na colombia existem os “bus” que sao na verdade microonibus e as busetas, que sim, comportam todas as piadinhas que estao na cabeça de voces enquanto leem isso, mas que sao na verdade a versao colombiana das vans/topics brasileiras. E quando eu digo “versao colombiana” isso significa que tem que ter muita cor, muito brilho e muito barulho(entenda-se isso por vallenatos, reggaeton e buzinas). Tipo assim:

macaquinhos, cortinas, penduricalhos e tudo mais nas bussetas de Cartagena

Aliás, as bussetas foram meu primeiro choque cultural aqui. Nao sao onibus, porque nao sao tao grandes, mas também nao sao vans. Como disseram o Wagner e a Pauline, outros cearenses que estao fazendo interncambio na costa da Colombia, as coisas aqui “nao sao”, elas “quase sao”. As bussetas(hehehe…sorry, ainda nao consigo nao rir qdo falo ou escrevo isso) param em qualquer lugar, basta dizer a palavrinha mágica “parada” e pronto, voce desce. Ah e por qualquer porta também. Daí voces imaginam quao “fluído” é o transito por aqui e quantos buzinaços a gente tem que ouvir cada vez que uma busseta pára. Mas o melhor…A DECORAÇAO! Busseta que se preze tem que chamar a atençao. Cortinas de veludo vermelho, luzes neon, adesivos tribais, cores chamativas, bichos de pelùcia, tudo vale pra fazer o passageiro pegar uma busseta e nao outra…hehehe. Foi mal, nao consigo evitar o duplo sentido e sei que voce também nao!

Las bussetas

Falando em exageros, em Cartagena as pessoas comem muito, ou comem bem, como prefiram. Eu, acostumada com o meu cafezinho matinal, com pao e margarina, ou simplesmente um leitinho com Nescau(que por sinal aqui nao tem, contente-se com Nesquik)  me deparei com um verdadeiro banquete no café-da-manha daqui. O basicao é composto por arepas, patacons, queijo, café com leite e pao e se voce aguentar vai uns ovinhos mexidos também. TUDO FRITO!Gueenta meu fi! Miren:

patacons

Arepas

Aí chega o almoço e voce pede um PF(prato feito), que aqui é assim, voce pode pedir um “corriente” ou um “seco”, aí eu toda curiosa pra saber que diacho era “corriente”  e eles te trazem um prato de sopa. OI? E dentro da sopa tem banana!! OI??? e o feijao chama frijoles e é gigante!

sopas – antes do almoco, sempre!

Ai pra fazer a digestao voce vai fazer uma caminhada pelo centro historico da cidade, senta na Praca Simon Bolivar e observa o movimento dos passantes,  os vendedores, os turistas, as carruagens(sim, carruagens!),os velhinhos que sentam do seu lado e mesmo sem te conhecer comecam a contar historias…anda pelas ruas estreitas, cheias de sacadas coloridas e varandas daquelas de se ouvir uma antiga serenata. E esse mes em Cartagena pareceu um filme, com aventuras, com trilha sonora, com personagens que pouco a pouco vao aparecendo por aqui e com cenas de tirar o folego.

por-do-sol das muralhas

Centro

Praca Simon Bolivar

Praca Simon Bolivar

Alinhando expectativas

Padrão

Qualquer intercambio normal te garante algumas coisas, como onde estudar/trabalhar, um tempo definido de permanencia no pais e um lugar onde morar. Mas eu vim pra Colombia e isso já nao é tao normal assim e aconteceu que um dia antes de chegar em Cartagena eu ainda nao sabia onde ia viver. Se isso tivesse acontecido com esses intercambios normais, de empresas normais eu teria ficado desesperada, mas eu viajei pela AIESEC, organizacao da qual participei por dois anos e vou contar pra vocês porque isso fez toda diferenca para no fim tudo dar certo.

Quando eu descobri que tinha sido aprovada para ir a Cartagena todas as minhas atencoes se voltaram para a Colômbia. Nada mais natural. Isso fez com que qualquer solicitacao de amizade no Facebook vinda de lá fosse aprovada quase que imediatamente e que qualquer  “hola! que tal?” fosse valorizado como potencial início de uma amizade eterna. Essa sou eu, exagerada e empolgada, mas essa também sou eu garantindo o uso efetivo de uma coisa que a AIESEC mulitiplica exponencialmente pra você: networking.

Agora um rápido alinhamento de expectativas: um intercâmbio pode ser a melhor experiência da sua vida, mas o melhor intercâmbio da sua vida nao vai ser o que estiver cheio apenas das melhores experiências. Em resumo, prepare-se para as merdas que hao de vir!

No meu caso as coisas deram certo  e entre “holas!” e “hasta muy pronto” algumas amizades realmente foram surgindo. Sebastian Cuartas, um paisa de Manizalles, de voz mansa e sorriso fácil, eu conheci quando estava em processo de entrevistas com uma vaga em Manizalles, fui aprovada em Cartagena mas mantivemos o contato. Ele, apaixonado pelo Brasil, vez ou outra me ligava para me encantar mais da Colombia, me ensinar coisas em espanhol(e serviram hein!) e aprender coisas em português. Como coincidência pouca nao serve, a irma dele estava fazendo intercambio em Fortaleza e foi na minha casa visitar uma colombiana que estava hospedada lá. Como diria Jade: makitub! Um dia antes de minha viagem eles estava tao contente quanto eu e se colocou totalmente a disposicao pra ajudar no que eu precisasse. E claro, que Manizalles já é um destino certo pra mim..hehe(anote aí na rota Iuri). O Oscar Mendez(com Z), um costeño cartagenero, de senso de humor casadíssimo com o meu de cearense, rapidamente se tornou meu correspondente direto de Cartagena e companheiro de risadas já no estilo colombiano(jajajaja)

Na falta de lugares baratos para morar em Cartagena, no primeiro mês de intercambio, quando ainda nao se tem salário e a AIESEC local anda a passos lentos, adivinhem quem pegou minhas malas no aeroporto, as levou para a festa(sim elas foram também..hehe) e depois as levou para sua casa dizendo que para que eu ficasse tranquila até que a AIESEC resolvesse minha situacao? Ele mesmo, Oscar e sua família.

O fato é que você pode ser um puta dum sortudo que faz um intercâmbio perfeitinho, num país de primeiro mundo ou você pode ser aquele que chega no aeroporto da Ucrânica, com placas escritas em russo e nao tem ninguém pra te buscar, ou aquela que pensava que ia morar na “república bacaninha de intercambistas” vivendo o multiculturalismo e coisa e tal e de repente se vê com as malas na mao pensando “eu podia tá roubando, eu podia tá matando, mas nao, eu to aqui fazendo um intercambio”. E o que vai fazer a diferenca da tua experiência nao serao os culpados pelas coisas erradas que acontecerem em seu intercâmbio, mas as pessoas que voce encontrar(ou escolher) para fazer as coisas darem certo.

Passei 5 dias na casa do Oscar enquando o pessoal da AIESEC Cartagena ainda buscava um local pra eu ficar. Nao tenho o que falar mal da AIESEC daqui, sao apenas muito jovens e inexperientes e um pouco desorganizados, mas sao tao disponíveis a ajudar que nao dá pra ficar com raiva. Na casa onde fiquei esses dias fui tratada como filha, fui convidada a ficar mais e a voltar sempre. A Dona Magali eu chamo de “mama”, eu adoro os cafés-da-manha que ela me prepara e ela sempre me recebe com um sorriso e um abraco que me faz sentir em casa. O senhor Oscar(pai) antes sério e de poucas palavras, agora conversa de política, pergunta do Brasil, quer saber como foi meu dia e sorri quando me vê ficando mais independente na cidade. A Giselly é minha manita colombiana que acabou de voltar da Turquia, é a pessoa mais resolvida que encontrei aqui até agora, ela resolve minha vida em dois tempos e conversa em espanhol comigo na certeza de que eu entendo tudo. Eu tento. O Oscar me chama de “crazy”, me perturba o tempo todo, me ensinar a falar “costeñol”, pergunta se eu to bem, se to cansada, se to triste. E tem também a Bianca, brasileira que conheci por aqui, que já está indo embora mas eu já tenho um carinho grande por ela, o Torre que é da AIESEC e que é meu padrinho e fala como se estivesse narrando jogo de futebol e ja aprendeu todos os palavroes em portugues e a Nadine que eu quase pus louca antes de chegar aqui e muitos, muitos outros nomes, porque experiências de vida sao feitas pelas pessoas que entram nela, seja naturalmente numa conversa sem compromisso numa mesa de bar ou numa janela de Facebook ou pela forca das circunstancias.

Hoje vou para um apartamento num bairro chamado “Manga” (Clea, so lembrei de ti!), que pra quem mora em Fortaleza é tipo um Bairro de Fátima. Vou dividir um quarto com a Katlin, uma americana que vai trabalhar comigo. Eu gostei e gostei mais porque já tenho uma família pra visitar nos fins de semana =)